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O Palácio da Cultura Esquecida.

Posted by Fábio Santos em 28 de outubro de 2008

 

 

 

Por: Fábio Santos.

Recentemente, tive a oportunidade de, que me é cada dia mais raro, assistir o noticiário local. Neste informava sobre um belo projeto para a construção do novo Clube do Choro de Brasília, que segundo seus idealizadores, será de grande importância para o cenário artístico local. De acordo com a notícia, a obra estaria estimada em aproximadamente oito milhões de reais e contaria com a parceria de empresas privadas. Realmente, é um belo e caro projeto.

Em um primeiro momento, me senti até orgulhoso de ver a cidade onde moro receber um investimento de tamanha importância cultural, mas não precisei ir muito longe para questionar sua real necessidade e significância. Logo ali, na parte sul da Ceilândia, há  um local de valor inestimável e que se encontra perdido na memória dos moradores e da própria Secretaria de Cultura, que a deixou praticamente em estado de abandono. Sim, falo da Casa do Cantador de Brasília – Palácio da Cultura Nordestina.

Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurada em 7 de novembro de 1986, a Casa foi palco de vários shows de cantoria de pé-de-parede, repentistas locais e nacionais, cantoria pé-de-serra, e vários outros artistas que vêm do Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e de diversos estados do nordeste. Ela conta ainda com uma Biblioteca de cordel, as famosas xilogravuras do sertão e com títulos de famosos e conceituados escritores, como Ariano Suassuna e Graciliano Ramos.

Simbolo da Casa - O Cantador.

Símbolo da Casa - O Cantador.

 Sua localização foi planejada em função justamente do local ser o maior reduto nordestino da capital, já que a então Ceilândia foi concebida como o centro de erradicação de invasores, que rodeavam a cidade em seus primeiros anos existência, logo após sua inauguração. Mas desde então, com as várias mudanças de governos e de administradores, as festas e shows deram lugar ao descaso e desrespeito, resultando em um lugar sucateado e cheio de problemas estruturais, já que apesar dos seus 22 anos de existência, não lhe permitiram, sequer, o auxílio de parcerias com empresas do porte da Petrobrás, Eletrobrás, Correios e Banco do Brasil, que patrocinam o Clube do Choro, mesmo sem que este possua “residência” própria e tenha sido criado há apenas cinco anos.

 

Sim, infelizmente tive pouco tempo pra me orgulhar dos investimentos culturais na minha cidade, pois se nem a obra de um gênio da arquitetura é respeitada, assim como a cultura de um povo que construiu esta cidade com o próprio sangue, não vejo razão para comemorar.  Ao contrário, isso é motivo de vergonha.

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