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Restaurante Roma: filho de Brasília

Posted by Da Redação em 18 de abril de 2010

Por Graciliano Cândido, Especial Brasília 50 anos

Imagem: Divulgação/GDF

O Restaurante nasceu em 15 de abril de 1960 conforme está cadastrado na inscrição estadual que documenta o início das atividades do restaurante. Na Inauguração de Brasília, o restaurante já estava funcionando sob a direção de um italiano. (Clique aqui e veja como foram os trabalhos dos jornalistas na inauguração de Brasília)

Depois de quatro anos de vida, Simon Pitel comprou o estabelecimento e está a frente até hoje. Simon nasceu em Bruxelas na Bélgica e veio tentar a sorte em Brasília com 21 anos de idade no ano de 1958. “Vim visitar um irmão que morava no Rio de Janeiro, não me adaptei na capital carioca e quando soube da construção de Brasília resolvi ajudar nos trabalhos”, recorda.

Ao chegar em Brasília, viu muitas pessoas trabalhando e não se espantou com a falta de estrutura que o local disponibilizava. Ele conta com muito orgulho que aos 21 anos tudo é aventura e felicidade por isso resolveu encarar o desafio de “erguer” a cidade que logo mais tarde seria a capital do país. “Quando morei no deserto de Israel sofri bastante com a poeira, falta de conforto, isso não era novidade pra mim”, destaca. (Clique aqui e veja depoimento de outros pioneiros).

Ele lembra com bastante facilidade o cenário da cidade no fim da década de 50. Simon diz que havia muita poeira, buraco, e as estradas eram poucas, muitas delas, cortavam as fazendas entre o Distrito Federal e o Estado de Goiás. “Eu me lembro que em 1958 fui a Luziânia num Chevrolet Impala e levei 04h30 do Núcleo Bandeirante até a cidade goiana”, diz o pioneiro que hoje consegue fazer o mesmo trajeto de cerca de 55km e gastar aproximadamente 50 minutos. (Clique aqui e ouça a entrevista com Simon Pitel).

Antes de atuar no ramo alimentício, o Belga, começou a trabalhar como vendedor ambulante de relógios e meias. Com o aumento da procura, comprou uma loja no antigo comércio chamado Loja Central localizado no Núcleo Bandeirante. (Clique aqui e veja reportagem especial sobre o Mercadão do Núcleo Bandeirante). Em 1961, começou a vender roupas para a GEB (Guarda Especial de Brasília), serviço de vigilância ligado a Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital). Em 1962, sua confecção fez todas as fardas da rádio-patrulha durante o governo João Goulart.

Depois de dois anos, se desentendeu com seu sócio da confecção e foi em busca de outros desafios. Foi aí que recebeu a proposta de adquirir o Restaurante Roma. “Nunca tinha visto um restaurante pelo fundo”, conta.

Restaurante Roma

Vale Refeição oferecido aos servidores do GDF

Em 1964, Simon assumiu a direção do Restaurante. Para ele, administrar uma grande empresa não era tarefa fácil, além de que todas as carnes e peixes comercializadas no estabelecimento eram importadas e isso encarecia ainda mais o preço final do prato. “O salmão vinha da Dinamarca e Noruega”, ressalta. Segundo ele, a raiz do cardápio não mudou em nada em relação aos pratos de hoje. O mais procurado no restaurante é o filé à parmegiana, o prato consegue servir bem duas pessoas.

Segundo o proprietário, na década de 1970, o estabelecimento ficava lotado desde cedo (próximo ao horário do almoço) e virava a noite. Era normal o restaurante fechar as portas por volta das 04hs da madrugada. “A freguesia motivava a gente a ficar aberto até altas horas”, conta. Vários empresários, autoridades e personalidades da cidade compareciam com bastante freqüência ao local. O atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva também já marcou presença no restaurante para aproveitar a culinária tipicamente candanga. Atualmente, ainda recebe em certas ocasiões políticos e personalidades da cidade.

Para Simon, o Restaurante faz parte da história de Brasília. Ele diz que é difícil que a população com 60 anos nunca tenha passado pelo restaurante. “Essas pessoas devem lembrar de uma saída de carnaval ou que tenha tomado uma canja para curar uma ressaca”, brinca o comerciante.

O prédio passou por algumas reformas estruturais e um dos serviços mais procurados não é comercializado atualmente, a venda de frango assado. “Mudou muito, o Roma era um botequim metido à besta. Hoje tem a cara de um restaurante”, diz. A máquina de frangos que ficava na porta do estabelecimento não existe mais. “A gente vendia frango que você não faz idéia. Tinha fila na porta”, contabiliza. O Restaurante era tão famoso que servia de ponto de referência para uma agência bancária que é instalada até hoje. Nos intervalos comerciais do banco nas emissoras de rádio Alvoradas e a Nacional, falava-se: “Ao lado do Restaurante Roma”. (Clique aqui e veja mais curiosidades de Brasília)

Ele conta que administrar um restaurante não tem segredo, mas é preciso ter bastante cautela e autocontrole. “Primeiro aprendi que ser dono de restaurante é um grande negócio quando é bem administrado e a longo prazo. A maioria dos comerciantes vive a curto prazo, a maioria quer ganhar o máximo em menos tempo e isso faz a qualidade do restaurante cair”, ensina. “A maioria peca, pois tem pressa em enriquecer”, completa Simon.

Manoel Leite da Silva, 56, faz parte do quadro de funcionários que soma 36 pessoas. O morador de Ceilândia trabalha no restaurante há 33 anos e não vê motivos para mudar de emprego. “Aqui tem uma equipe antiga, todo mundo se respeita. Eu considero como se fosse uma grande família”, fala Manoel.

Momento marcante

Há mais de 50 anos morando em Brasília, Simon Pitel lembra que passou por crises na década de 1970, porém também teve períodos de abundância no tempo dos militares, onde o comércio cresceu bastante, pois havia poucas opções de restaurantes. “Hoje em dia em cada esquina tem um restaurante que abre e fecha numa rapidez impressionante, mas eu sempre tive uma estabilidade econômica e nunca tive grandes altos e baixos”, ensina.

Declaração de amor

Convite do aniversario de Brasília em 1963 era uma medalha

Simon Pitel hoje tem 73 anos e é apaixonado por Brasília. Vindo de família judia e Belga, estudou até o 2º científico na Bélgica, que corresponde ao Ensino Médio do Brasil. Nesses anos dedicados a capital do país, Simon, só vê motivos para agradecer. “Obrigado Juscelino Kubitschek. Ele foi o pai de Brasília. Ele me deu muitas oportunidades, algumas consegui pegar no ar, outras deixei voar. Eu acho que o Brasil precisava de Brasília para se colonizar para desenvolver a economia”. (Clique aqui e ouça o hino de Brasília).

Veja imagens da construção da capital do país

 

 

Uma resposta to “Restaurante Roma: filho de Brasília”

  1. […] Pioneiro de Brasília […]

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