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Vários setores da economia comemoram aumento nas vendas

Posted by Da Redação em 26 de dezembro de 2010

Por Graciliano Cândido

Venda de veículos teve bastante récuo (Foto: Graciliano Cândido)

Fim de ano é sempre a mesma coisa. Os corredores dos shoppings sempre lotados e as 18 mil lojas de rua começam a fazer promoções logo no final do mês de outubro para conquistar cada vez mais clientes. As lojas do Distrito Federal investiram mais de R$ 20 milhões em decorações e promoções para a ocasião. Para amarrar o cliente ao consumo, os Shoppings vão sortear esse ano sortear 49 automóveis, e para concorrer a pessoa precisa comprar determinado valor em produtos para ganhar cupons.

O Shopping Pátio Brasil preparou para este ano uma iniciativa inédita no setor, terá 100% das emissões de gases de efeito-estufa da decoração de Natal neutralizadas, desde o processo produtivo dos cenários, montagem, transporte, até o consumo de energia com a iluminação natalina. A Neutralização dessas emissões, que foram calculadas por meio de um inventário, será feita por meio do plantio de árvores em regiões devastadas da Amazônia, no Acre. Entre as espécies estão Seringueira, Açaí e Paricá, que serão monitoradas durante cinco anos, tempo necessário para que se tornem autossustentáveis.

Outra novidade é a utilização de lâmpadas megaLED na iluminação das Árvores de Natal, o LED proporciona uma economia de até 75% comparada as lâmpadas convencionais. De acordo com Renato Horne, gerente de Marketing do Pátio Brasil Shopping, a idéia é unir a beleza da decoração de Natal com as boas práticas para a promoção do desenvolvimento sustentável. “Neste ano, aproveitamos esta data tão representativa para também conscientizar, de forma lúdica e interessante, as pessoas de todas as idades, em relação a como podemos utilizar melhor os recursos naturais”, afirma.

O relógio é o inimigo nº 1 de quem sai para fazer as compras de Natal. As pessoas, andam, andam, escolhem, pechincham até efetuar a compra para agradar os parentes e amigos. As filas, as filas é o outro inimigo dos compradores. De acordo com o presidente do Comércio Varejista (Sindivarejista), Antônio Augusto de Moraes, os setores que devem ter mais procura são os de informática, vinhos, importados, telefonia celular e eletroeletrônicos.

Para atender toda essa demanda e prestar um serviço de qualidade aos clientes, o comércio promove milhares de vagas de emprego temporários e muitas delas podem ser efetivadas. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), o DF deve promover mais de 5 mil vagas no setor neste final de ano. Os salários são bastante convidativos, giram em torno de R$ 700 a R$ 2 mil, dependendo do volume de vendas e serviço. A assistente de caixa Fernanda Dias Medeiros, 18, conseguiu seu primeiro emprego temporário a partir da indicação de uma amiga. Ela explica que faz um pouco de cada coisa na loja de roupas e acessórios no Lago Sul. Desde arrumar as roupas na vitrine, colocar preço, até organizar o balcão. “Nunca fiz curso em atendimento em comércio, mas não tem segredo. Basta ser educada e sorridente para atender os clientes”, conta a jovem.

Fernanda assim como várias outras pessoas que foram contratadas temporariamente, nesse período de final do ano tem data para encerrar o contrário. Mas, isso depende do desempenho de cada um para ser efetivada na empresa. “Pretendo dar o melhor de mim e me fazer indispensável para a loja”, completa Medeiros. O Sindivarejista acredita que em janeiro aproximadamente 25% dos temporários serão efetivados.

Setor Imobiliário

De acordo com boletim de conjuntura imobiliária elaborado pelo Sindicato de Habitação no Distrito Federal (Secovi-DF), em parceria com o departamento de economia da UnB, mostrou que o mercado imobiliário se manteve aquecido entre os meses de setembro e outubro. A pesquisa revelou que o Plano Piloto tem os imóveis mais caros do país, além de ser considerada a região com o metro quadrado mais caro do Distrito Federal. A cidade de Águas Claras é a região que tem a maior rentabilidade, com índices de 0,48% e 0,45%. O presidente do Secovi-DF, Carlos Hiram Bentas David, avaliou que a maior rentabilidade de Águas Claras é vista pelo mercado como um resultado do incremento do poder aquisitivo da Classe C. “Para essa faixa de renda, os imóveis em Águas Claras são uma boa alternativa de investimento e moradia, o que explica o aumento de demanda por imóveis e o conseqüente aumento na rentabilidade destes”, destaca Hiram.

O presidente do Secovi observou ainda o aumento dos financiamentos destinados ao setor imobiliário que continuam registrando superávit de 3,9%. Acompanhando esse ritmo o mercado de venda de materiais de construção cresceu 17%, de acordo com pesquisa realizada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção do Distrito Federal (Sindmac-DF).

A explicação para o aumento nas vendas do setor é pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e pelas inúmeras obras que o governo vem realizando na cidade. O presidente do Sindmac-DF, Cecin Sarkis, explica que os empresários já se programaram para esse boom nas vendas, pois o crescimento vem ocorrendo mês a mês. “As vendas crescem cada vez mais na cidade e ajudam a gerar empregos”, disse um empresário do setor.

Veículos

Apesar da nova determinação, lojas de veículos estavam bem movimentadas antes do Natal (Foto: Graciliano Cândido)

O sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal (SINCODIV-DF) está bastante otimista em relação às vendas no final de ano. Os números do decorrer do ano são bastante animadores, os emplacamentos no Distrito Federal, de janeiro a outubro, foram de 96.295 veículos, contra 95.523 do mesmo período de 2009, um aumento de 0,81%.

Para o presidente do SINCODIV/DF, Ricardo Lima, essa realidade se deve ao saturamento da economia dos países desenvolvidos. “O consumo nos Estados Unidos já cresceu o que tinha que crescer, enquanto que nos países emergentes tem muito a expandir. Um dos exemplos é o Brasil, onde as classes C e D estão em ascensão econômica e prontas para o consumo”, afirma. Na visão do presidente, 2011 promete resultados positivos e terá participação ainda maior dessa parcela da população.

Para Lima, o consumo por carros zero quilômetros no DF ou no Brasil não vai frear. Enquanto que os países considerados de primeiro mundo enfrentam os resquícios da crise, países emergentes como o Brasil têm muito a crescer. “Temos uma população de 185 milhões de habitantes e previsão de consumo de três milhões e 400 mil carros novos este ano. Se comparado com os EUA, com 290 milhões de pessoas e uma produção automotiva que chega a 12 milhões em 2010, o mercado brasileiro automotivo tem muito a expandir e os empresários do setor estão atentos a esta fatia do mercado”, ressalta.

Nos últimos anos, inúmeras concessionárias importadas (chinesas, japonesas, coreanas) se instalaram no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). O diretor de vendas do SINCODIV-DF, Hélio Aveiros, diz que o SIA está cada vez mais populoso. “Pretendemos desenvolver uma ação de mídia consorciada a partir do ano que vem para melhorar o fluxo das lojas”, diz. “Eu tô muito otimista para 2011, embora a gente tenha um governo novo, que a adaptação se dará em março”, completa.

A mudança de comportamento do consumidor brasileiro reflete o bom desempenho nas vendas de veículos até agora. Isto não é apenas consequência do aumento do poder aquisitivo, mas das estratégias das concessionárias do DF que atraem todo tipo de cliente. Maneiras de fidelização do cliente é o que não falta, desde campanhas publicitárias em vários meios de comunicação, divulgação nas ruas, e até mesmo promoções relâmpagos e financiamentos a perder de vistas.

Os economistas estão com uma visão mais cautelar a respeito dos financiamentos com mais de dois anos de duração. O motivo da preocupação é que no início do mês, o Banco Central determinou aumentos nas taxas de juros de financiamentos de longo prazo. De acordo com as novas normas, todos os contratos com prazo de mais de 24 parcelas terão de contar com sinal de entrada. Em financiamentos de 36 meses, o comprador precisa desembolsar no mínimo 20% do valor do bem, em 48 meses, o sinal chega a 30% e 40 em compras de veículos divididos em 60 meses.

Apesar das concessionárias estarem otimistas, os valores já sofreram alterações. Se for analisar um veículo 1.0 de R$ 30 mil, antes da medida do BC, as prestações para pagar em 60 parcelas, era de R$ 780 e os juros de 1,5% ao mês, agora, depois das mudanças as parcelas são de R$ 885 mensalmente e os juros saltaram para 2,10%.

Os especialistas sugerem que os consumidores avaliem as despesas (Foto: Arquivo pessoal)

O economista Elias Marques Viana (foto), diz que essa postura já era esperada, em virtude da queda da taxa de juros e a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). “foi uma estratégia do Governo Federal para manter o nível de compras da população e também, manter a economia aquecida, visto que o mundo se encontrava num cenário macroeconômico de crise que levou países economicamente desenvolvidos a recessão”, destaca.

Os especialistas sugerem que os consumidores repensem a compra do veículo e se for o caso façam economias, até mesmo através da famosa caderneta de poupança para que dê um sinal maior e deixe um menor valor para financiar, dessa forma, o valor financiado sofre menores taxas de juros. “Outro fator relevante é que em 2011 teremos a substituição dos representantes do governo (principalmente presidente e ministros), e nesse caso é de praxe que as equipes econômicas tomem medidas mais cautelosas com o intuito de terem a noção exata de como o mercado (nesse caso mercado global, principalmente refletido nas bolsas de valores) se comportará diante desse novo governo que se inicia”, completa.

Ranking das cinco marcas mais vendidas entre janeiro a novembro de 2010

MARCA jan/10 fev/10 mar/10 abr/10 mai/10 jun/10 jul/10 ago/10 set/10 out/10 nov/10 dez/10 TOTAL
FIAT 2.039 2.164 3.259 2.780 2.245 2.565 2.892 2.887 2.881 2.554 2.706 28.972
VW 761 1.309 2.591 2.440 2.120 1.716 2.335 2.643 2.253 2.735 2.284 23.187
GM 1.091 1.079 1.958 1.460 1.018 1.285 1.155 1.371 1.581 1.271 1.251 14.520
FORD 637 666 881 724 541 680 747 1.067 741 869 801 8.354
RENAULT 299 458 714 558 265 356 508 655 630 578 607 5.628

Fonte: SINCODIV-DF

Pé no freio

Conforme prevê o Sindivarejista, o brasiliense deve abrir a mão nesse ano, deve gastar em média mais de R$ 70 com os presentes de natal. Mais da metade das compras serão realizadas com cartão de crédito e esse é um dos motivos para os endividamentos. As altas taxas de juros aplicadas pelas instituições financeiras levam as pessoas a se complicarem. Estudo inédito realizado pela Serasa Experian revela que os consumidores estão cada vez mais inadimplentes. De acordo com a pesquisa, os endividados têm em média cinco dívidas em atraso e levam cerca de sete meses para pagar.

A explicação para isso é simples, o gasto além do que as pessoas ganham, o consumo descontrolado. A Revista PontoDF procurou um economista para esclarecer algumas dúvidas. È só chegar os últimos meses do ano e todos ficam ansiosos para receber o 13º salário. Visto por alguns para tirar o orçamento do sufoco, outros vêem como um vilão, pois não sabem usar de maneira adequada o recurso e acaba exagerando na dose.

As concessionárias de veículos adotam estratégias para estimular vendas (Foto: Graciliano Cândido)

A injeção de mais um salário no orçamento do trabalhador, por si só já incentiva o consumo exagerado do final de ano. O economista Elias Marques Viana, acredita que se o uso do 13° foi exclusivamente para consumo (compras), a tendência é que o trabalhador passe o 1° semestre ou até mesmo o ano todo com o orçamento apertado pagando as dividas do ano novo e também do ano velho, tendo inclusive que recorrer a empréstimos, chegando ao limite de “escolher” quais dívidas a pagar naquele mês, incorrendo nesse caso a juros altos, multas, moras. “O gasto exagerado do 13° é altamente nocivo para o trabalhador, pois compromete os rendimentos de todo um ano podendo até ser estendido para os próximos anos que seguem. Com isso, ele é impedido de fazer novas aquisições, viagens, cursos”, exemplifica.

Para quem planeja fazer aplicações do salário extra, uma das melhores opções é a boa e velha poupança, que tem um retorno baixo na avaliação do economista, mas também um risco quase nulo. “Com o 13° se capitalizando é possível pensar em financiamentos mais brandos, e acima de tudo com dinheiro em mãos há a possibilidade de barganhar preços menores”, ensina.

Elias Marques explica que normalmente o marketing nas lojas de departamento tem um grande poder de persuasão com os consumidores, com prolongamento de prazos para pagamento. Essas estratégias iludem de certa forma o consumidor, pois ao invés de antecipar dividas (algo que seria o correto) acaba adquirindo novas dívidas, essas para o ano seguinte. “O correto seria a análise das dividas pessoais, tendo como referência o prazo para quitação das mesmas, nesse caso a idéia é que não haja reposição de dívidas, ou seja, por exemplo, você acaba de quitar uma divida de R$ 100,00, já pode fazer uma de mesmo valor, nesse caso o indicado é que as compras de fim de ano tenham parcelas com valor e prazo menores do que a dívida que acaba de ser sanada”, argumenta.

O que tem que levar em consideração é que ano novo, dívidas novas, principalmente aquelas que surgem bem no início do ano, como IPVA, IPTU, matrículas escolares, seguros, anuidade de conselhos profissionais e também as primeiras parcelas das compras de fim de ano. “Para começar o ano com a saúde econômica em dia é necessário que haja planejamento das compras de natal e ano novo, a postura não é a de não comprar nada e sim de fazer um esforço para deixar uma margem do 13° para os pagamentos que sabemos que virão em janeiro mesmo que não compremos nada em dezembro”, completa o economista.

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2 Respostas to “Vários setores da economia comemoram aumento nas vendas”

  1. Digno de impresso!
    Parabens.

    Curtir

  2. POis é Patrícia, a matéria saiu em publicação impressa também.
    Se desejar, posso mandar um exemplar para você.

    Curtir

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